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Ante-estreia "Fora de Cena" | Documentário de Henrique Prudêncio
Cinema

Ante-estreia "Fora de Cena" | Documentário de Henrique Prudêncio

Ver evento original

Fonte: Viral Agenda

Data
Hora19:00
LocalTeatro das Figuras
ConcelhoFaro
Presencial

Previsao meteorologica

23° / 33°CCeu limpo

M6 108 minutos Entrada livreFora de Cena observa o quotidiano da ArQuente, uma companhia de teatro amador onde a arte é um território de liberdade conquistado ao dia-a-dia. Aqui, cada ensaio é uma escolha: um hobby que se transforma num laboratório de autodescoberta e de criação sem amarras. Contudo, na preparação da nova obra, o prazo para a estreia esgota-se sem resultados palpáveis. Durante o processo, observamos a coexistência de motivações divergentes e a crescente tensão entre as visões individuais e a exigência do coletivo, pondo até em questão a necessidade de haver um espectáculo. Nota de intenções:Gil, o encenador desta peça, diz em tom de brincadeira no fim deste filme que eu fiquei com este documentário surrealmente inacabado. E durante largos anos, também pensei que sim. O que no início era apenas um filme para retratar um processo de uma peça de Janeiro até Maio, acabou por se estender num laboratório terapêutico para os seus intervenientes durante um ano. Nenhum de nós estava pronto para isso, com várias dificuldades sentidas durante o processo de rodagem em ter uma equipa f ixa sem remuneração e motivação. Muitas vezes dei por mim a perguntar porque estava eu a filmar aquele grupo à deriva. Contudo, eu sabia que, eventualmente, existiria um conflicto. As tensões entre o grupo eram notórias. Uns queriam estar lá para ultrapassar limites próprios, outros queriam apresentar e dar o seu contributo a um público. E quando o António, o nosso protagonista, sai do ensaio a meio, dei-me grato por ter tido a paciência depois de 9 meses para descobrir o que estava a filmar. Este é um filme sobre processos artísticos. O que leva a um grupo para se juntar e querer apresentar uma peça? Vale a pena apresentar algo, quando não se tem nada para dizer? É mais importante o colectivo ou o individual? Tudo isto são questões que julgo pertinentes e que me levaram 6 a montar o filme, seis anos depois.O teatro é muito importante para mim. Enquanto cresci, era uma constante na minha vida, seja em contexto escolar, amador, ou profissional. E sempre tive a sensação egoísta de me saber bem, de ter saudades dele, do sofrimento e da euforia que causa. Apresentar para um público era um processo secundário e de cumprimento de dever. Como actor, não era isso que me interessava. Queria explorar e quebrar os meus limites. Por isso, não deixo de empatizar com este grupo da ArQuente, que sem tabus e sem pudor, fala sobre esse egoísmo e o explora. Que assume aquilo que tão poucas pessoas o fazem. Mas o que acho de uma dicotomia interessante é que eu sentia essa empatia enquanto os reprovava mentalmente, por estarem a usar um espaço maravilhoso, por terem um grupo fenomenal e não apresentarem nada. Aquilo afectava-me, psicologicamente e fisicamente. Durante este processo, nestes 6 anos, estive extremamente dividido sobre o que pensar do grupo, do seu encenador e deste filme. Tinha medo de o concluir porque tinha receio de não os entender. Transmitir esta dicotomia então é o que sinto que posso dar para fazer jus às pessoas. Fazer entender os indivíduos, quem são eles, ao mesmo tempo que os quero retratar de uma forma crua. Para fazer debater, sem dúvida, mas também para fazer entender que há um outro lado por detrás dos processos artísticos. Que talvez julgamos demasiado cedo antes de ter empatia pelo outro. Que todos nós temos vidas pessoais, com processos muito duros e 7 que acaba irremediavelmente por interferir nas criações artísticas. Ficha técnica: Realização e produção - Henrique Prudêncio Assistência à realização e operação de som - Tiago Costa Performers - Gil Silva, Ana Nunes, Fúlvia Almeida, Carolina Cantinho, Maria Adelaide Fonseca, António Guerreiro, Armando Correia, Margarida Cantinho, Ricardo Mendonça, João Tatá Regala e Teresa Silva Montagem - Paula Miranda e Rita Argente Design e mistura de som - Carlos Abreu Produção executiva - Mafalda Rebelo Direção de fotografia e colorista - Ricardo Vargues Música original - João Viegas Design gráfico - Inês Amaro Estagiários de montagem - Guilherme Pica, Kevin Tembwa e Leonor Caetano

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